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quinta-feira, fevereiro 07, 2013

O Mundo como Quintal...


A família que cabe numa Kombi

Jason, Angela e Bode no Rio, após três anos e 80 mil quilômetros
na estrada. Eles largaram os confortos do “american way of life”
para viver dentro da Kombi Westfalia ano 1971 
Antes de apagar as quatro velinhas do bolo, o filho fez o pedido: “Queria passar mais tempo com meu pai”... E o que poderia virar tema de um livro de auto-ajuda bem piegas se tornou uma aventura internacional.

Jason Rehm é o pai que vivia ocupado com o trabalho, hipertenso e em crise de meia idade. Angela, a mãe com cabeça aberta, companheira de muito tempo. E Bode (o nome é esse mesmo) é o garoto que inspirou toda essa história ao ter seu desejo atendido.

Em agosto de 2009 eles largaram uma rotina com os tradicionais confortos da vida moderna na cidade de Alameda, na Califórnia, para se dedicar a uma viagem de 12 meses a bordo de uma Kombi fabricada em 1971. Mas eis que, três anos e meio após a partida, a família continua na estrada.

Devagar e sempre

Saíram dos EUA, subiram para o Canadá e, depois, desceram pelo México. Daí tomaram — lentamente, claro — o rumo da América do Sul. Há duas semanas chegaram ao Rio para passar uns dias. Onde vão parar? Nem eles sabem...

— Quando completamos o ano previsto inicialmente, estávamos na Costa Rica. Na dúvida sobre o que fazer, resolvemos continuar — conta Jason, um engenheiro com especialização em foguetes.

O mais difícil foi tomar a decisão de desatar os laços com a rotina e partir. Como o menino só entraria na escola no ano seguinte, pareceu o momento certo.

— Há muita gente que espera a aposentadoria para viajar. Mas, aos 65 anos, a disposição já não é mais a mesma — pondera o aventureiro.

Entre a ideia inicial e a ida para a estrada, passou-se um ano.

— O primeiro passo foi avisar a todo mundo que iríamos sair em uma longa viagem. Assim não haveria como voltar atrás — explica Angela.

Os amigos deram força e ajudaram no que puderam, mas os pais do casal acharam que era loucura.

Depois, chegou a hora de pedir demissão. O chefe não aceitou e propôs um acordo: Jason passaria a ser uma espécie de consultor online, fazendo seu trabalho no computador e enviando de onde estivesse. É a situação perfeita, já que permite à família viajar com independência econômica, sem depender de patrocinadores.

No ano de preparação, a Kombi Westfalia (modelo alemão com teto móvel e equipada para camping) foi inteiramente restaurada. Todos os bens que o casal tinha foram vendidos ou doados. E, assim, a família fugiu da armadilha do “american way of life”: trabalhar cada vez mais para acumular bens.

— Tudo o que temos hoje está dentro do carro e não sentimos falta de nada do que possuíamos antes — jura Jason.

Bermuda, vestidinho de alça, sandálias de dedo... No estilo de vestir, Jason e Angela estão mais para um casal de classe média carioca do que para hippies clássicos. A vida deles também é quase normal e inclui rotinas como acordar, trabalhar, dirigir, cozinhar. A diferença é que, a cada fim de tarde eles têm que buscar um local para estacionar (geralmente um camping ou uma praia). O quintal é o mundo.

Carro que abre portas

Jason é fanático por velhos Volkswagen. Sempre teve Fusca e dirigia um Karmann-Ghia antes de embarcar na Kombi:

— Quando há algum problema iminente, esses carros dão sinais bem óbvios e eu já sei o que está errado — diz.

Nesses 80 mil quilômetros, foram consumidos 16 amortecedores e o motor teve que ser retificado uma vez. Há constantes probleminhas, mas Jason consegue consertar tudo.

Um dia, no meio do Salar de Uyuni, nos cafundós da Bolívia, a familia acordou e se viu no meio de um lago de água salgada. A fiação entrou em curto, mas os conhecimentos do motorista foram suficientes para desenguiçar o carro.

— Há um monte de gente viajando em motorhomes enormes ou utilitários a diesel, como as Toyota Hilux. São veículos ótimos. A diferença é que a Kombi chama a atenção por onde passa, abrindo sorrisos e portas — afirma o viajante.

Outras vantagens do pão de fôrma da Volks são a mecânica simples, a abundância de peças pela América do Sul e a valentia ao enfrentar buracos na Nicarágua ou estradas de rípio na Patagônia.

Do abandono à glória

A casa rodante dos Rehm já foi um carro abandonado. Rebocado pela polícia da cidade californiana de Oakland (vizinha a Alameda), passou nove meses no depósito sem que alguém o reclamasse. Na falta de um dono, o veículo foi leiloado. Saiu por US$ 800, estava um caco, mas tinha potencial: toda a mobília original da Westfalia estava no lugar.

Na desmontagem para a restauração, foram descobertas sementes de maconha.

— Imagino que essa Kombi era usada para vender drogas — diverte-se Jason.

Depois, lanternagem completa, pintura, nova tenda e um motor 1.600 de dupla carburação zero-quilômetro. Assim, a casinha se tornou confiável para qualquer viagem.

Quase todos os equipamentos da Kombi ainda são os mesmos que saíram da fábrica de carrocerias Westfalia em 1971 (por coincidência, o ano de nascimento de Jason e Angela). A mobília básica nos 7m² do interior inclui uma cama de casal que vira banco e uma pequena cozinha.
Os únicos itens acrescentados foram uma cama para Bode, no teto da Kombi, e uma geladeira Engel elétrica (a original tinha que ser carregada com gelo). Sobre a capota, duas placas solares ajudam a alimentar tanto a geladeira quanto o computador. Banheiro? Só em áreas de camping ou postos de gasolina.

Uma curiosidade: até na cor a Westfalia da família californiana é idêntica à que pertenceu ao escritor argentino Julio Cortázar e sua companheira Carol Dunlop. Batizada de “Fafner, o dragão”, a Kombi levou o casal de beletristas em uma viagem pela França e virou personagem do livro “Os autonautas da cosmopista”, de 1982.

Se, antes, os parentes de Jason e Angela estavam preocupados, três anos depois todos apoiam a ideia. A mãe da viajante, por exemplo, pegou um avião e veio ao Rio encontrar o neto. Um blog permite que as pessoas queridas saibam por onde anda o casal.

— No começo, se esforçaram para pôr medo na gente, mas o que conhecemos do México até aqui foram povos abertos e receptivos, além de lugares lindos — lembra Angela.
Na lista de melhores paradas, os aventureiros citam Zorritos (Peru), Sucre (Bolívia) e Torres del Paine (Chile).

Bode ama essa vida em que cada dia é uma aventura. Em vez de sala de aula, o menino aprende in loco: já visitou as ruínas de Machu Picchu, viu a fauna das Ilhas Galápagos e da Patagônia, aprendeu espanhol em dois anos pela América Latina e agora já arranha o português. Angela faz as vezes de professora e baixa livros escolares pelo computador.

— A principal lição é de que exite um mundo fora dos Estados Unidos — diz o pai.
Mas um garoto de oito anos não sente falta de amigos?

— Ele é muito social e acaba fazendo amizades por onde passa — afirma a mãe.
Jason dirige a maior parte do tempo, mas Angela também pega o volante. Vão sem pressa, a 80km/h. Levam um mapa todo rabiscado com os possíveis destinos, mas nada é 100% planejado. Pode ser que, numa decisão de momento, passem alguns dias em uma cidade não prevista em qualquer guia.

Daqui, a família sabe apenas que tomará o rumo Norte (até Belém, de preferência pelo litoral) e que tem que sair do Brasil dentro de três meses, quando vencem os vistos de permanência. Depois, tentarão embarcar a Kombi em um navio “para a Europa, a Ásia ou a África”. Vago assim...

Até quando vai esta viagem?

— Continuaremos enquanto todo mundo estiver feliz — prevê Jason.

Tirinha - Calvin por Bill Watterson


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Crise econômica e degradação ambiental de mãos dadas...

Adaptado do Blog Planeta Urgente

Como a pobreza imposta à Grécia degrada o ambiente


Tarifas de serviços públicos são agora tão caras para as famílias gregas
 que algumas passaram a usar lenha para se manter aquecidas. O resultado é
uma estranha névoa de fumaça que paira sobre a cidade.

Programas de austeridade do neoliberalismo estão provocando o sofrimento de milhões de pessoas, que respondem pelo comportamento leviano do setor financeiro, avalizado pelo sistema. A Grécia está sendo particularmente atingida. Os níveis de poluição do ar caíram em 40% desde 2008, mas isto não é algo para comemorar. Não é um resultado de políticas eficientes, e sim da recessão.

Alguns ambientalistas consideram o fato um ganho. Mas o que está acontecendo no país é um aumento maciço do smog, ou um nevoeiro contaminado por fuligem. O problema é sério em cidades importantes como Atenas e Salonica, mas vem sendo relatado em todo lugar, incluindo Ática e o Peloponeso. E não se trata do smog  verificado em dias quentes em cidades do mundo desenvolvido, com seus carros.

É uma forma mais rude, uma volta no tempo. O povo está queimando lenha como combustível doméstico, o que lembra a Londres de muitas décadas atrás. Em Londres, a média de matéria particulada no ar caiu de cerca de 160 microgramas por metro cúbico para menos de 20 entre 1961 a 1998. Na Grécia, os níveis alcançam hoje 300 microgramas, o que é considerado perigoso para a saúde humana pela Organização Mundial de Saúde.

Os efeitos são perversos, como comentou o analista grego Nikos Konstandaras : “Esta nova praga parece ser democrática, no centro e no subúrbio, sobre ricos e pobres, jovens e velhos, nativos e imigrantes… Mas o verniz da universalidade é fino: mais uma vez são os pobres que sofrem mais. Vivem em terras mais baixas, onde as toxinas se juntam, são forçados a queimar o que encontrarem… Não têm recursos de mandar membros vulneráveis da família para o campo.”

O governo grego estima que 13 mil toneladas de madeira foram cortadas ilegalmente no ano passado. O país retorna ao ponto mais baixo da chamada curva de Kuznetz. O economista teorizou que quando uma civilização começa a usar seus recursos naturais, ela aumenta seu impacto sobre o ambiente até um ponto em que a economia se torna mais eficiente e reduz este impacto. Acontece nos países mais ricos. Mas não na Grécia.

O país ficou nas mãos da política de austeridade européia quando descobriu, logo depois da crise global financeira, que não poderia pagar sua dívida. Em troca de capital para salvar a situação, a Grécia concordou em cortar seu deficit. E os impostos subiram – sobre a renda, a propriedade e energia. Combinadas ao custo mais alto do petróleo, estas altas elevaram os custos de aquecimento em mais de 40% no começo do mês mais frio no país, janeiro.

O desemprego grego é o mais alto do mundo desenvolvido, comenta The Atlantic. O PIB do país passa por sua pior contração em tempos de paz de qualquer país não-comunista desde o século 19.

“A atmosfera nunca foi pior”, diz Marianna Filipopoulou, uma antropóloga que viveu em Atenas por quatro anos. “Esta cada vez mais difícil de respirar. Mesmo nossos olhos dóem por causa do smog.” Ela diz que a culpa não é das famílias, mas da circunstância deplorável delas. “Nã há outro jeito, dada a escassez de dinheiro.”

Apenas futebol...

PH Ganso e Santos F. C. travaram no ano passado uma queda de braço que culminou na transferência do jogador para o São Paulo. 

Ontem Santos e São Paulo jogaram na Vila Belmiro com Ganso vestindo pela primeira vez a camisa tricolor contra seu antigo clube... maior polêmica, gritos de mercenário, moedinhas sendo arremessadas... 

Antes da partida, um garoto, torcedor  do Santos, se aproxima de Ganso para cumprimentá-lo... olha só o que ele fez...


Isso é apenas futebol!

Tirinha - Calvin por Bill Watterson


domingo, fevereiro 03, 2013

Paperman

Indicado ao Oscar de melhor curta de animação (veja a lista completa), Paperman foi exibido aqui no Brasil antes do longa "Detona Ralph", eu e meu filho curtimos muito. Espero que vocês também curtam!

Um Sorriso Todo Dia - Sorriso 172


Marton é um daqueles caras que parecem estar sempre de bem com vida, aqueles caras que
todo mundo gosta (menos o Tatá...), é daqueles que você sempre fala... "você tem que conhecer o Marton". 

Além da simpatia, do papo tranquilo, da piada boa e do faro de gol... tem muito talento com as palavras e faz 171 sorrisos que me divirto com os textos do seu blog UmSorriso Todo Dia

Eis que chegou o meu dia, minha vez de ter o sorriso acompanhado dessa legenda perfeita... 

Valeu "Martão", golaço... nota 10 ! 


Estava tudo pensado, tramado, arrumadinho aqui na cabeça. 
Ai, aconteceu... Acidentes acontecem e não conseguia me perdoar pelo descuido.
Já tinha pensado num texto bacana, falando de amizade que surge do nada e aos poucos vai ganhando espaço.
Lembrei de um conto do Rubem Braga que fala sobre três amigos na praia e ia até citar um trecho: "Éramos três animais já bem maduros a entrar e sair água muito salgada, tendo prazer em estar ao sol. Três bons animais em paz, sem malícia nem vaidade nenhuma(...)E tão sossegados e tão inocentes, que, se Deus se nos visse por acaso lá de cima, certamente murmuraria apenas - “lá estão aqueles três" - e pensaria em outra coisa."
Tá vendo? Era pra ficar bacana mesmo. Afinal, este sorriso esta sempre acompanhando os sorrisos desde o começo, dando força, divulgando e é um dos seguidores do blog.
Um sorriso amigo é muita responsabilidade.
Daqueles que se tem horas de papo natural. Sem puxar assunto. E se pilham fácil, já tem piadas particulares, trabalhando na linha da sutileza.
As vezes...
Afinal, o pavio, um tanto curto do camarada pode causar estranheza. Um tanto curto nada! Que pavio?
Quando nos conhecemos jogando bola (sim, conheço muita gente assim), tem tempo isso, foi descaso a primeira vista.
Afinal, o cara é vascaíno daqueles que acreditam mesmo naquela agremiação, e um pouco genioso durante as pelejas. 
A gente se aturava. 
Nada melhor que o tempo, filhos e uns quilos a mais. A gente muda por dentro e por fora. 
Por isso, quando outro dia ele me cobrou num outro sorriso, com um sutil "adorei, na fila" ou algo assim, gelei. 
Ainda apostei em um reencontro fácil, afinal toda semana tem pelada... 
Não, não teve. E quando teve ele não foi. Como corrigir o acontecido?
Nem adianta enrolar mais e a verdade é essa: Rodrigo Leão eu havia perdido seu sorriso. 
Isso, de forma poética fica lindo. Daria uma ode. 
Numa forma pragmática não. 
Nunca havia perdido nenhum dos meus cliques, sempre tenho um backup mas desta vez, sem explicação aconteceu. 
Fui catar pra escrever sobre e... Nada. Ta aqui, não, tá ali, também não... Perdido a vera. Vazio... 
E esta semana, como do nada eis que ele, o seu sorriso, reapareceu ali, no lugar de sempre, calmo, afetuoso e sorridente. Quase que perguntando:- E aí? Sai ou não saí? 
Coisas de São Longuinho. 
Talvez seja para provar que no fundo um grande sorriso nunca se perde. 
Mesmo as vezes mal humorado. 
Afinal, pergunta ao Felipinho se tem sorriso mais maneiro que esse?
Tá bom minha gente... Mãe não vale.