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domingo, janeiro 29, 2012

Em caso de revolução, quebre o vidro!



É cada vez mais comum nas manifestações populares ao longo do mundo nos depararmos com pessoas usando uma máscara conhecida como Anonymous. Na verdade trata-se de um movimento bastante amplo que vem ganhando força em todo o planeta e que tem como principal ferramenta de articulação as redes sociais tais como Facebook e Twitter.

Bandeira do movimento. O homem de traje formal e sem cabeça representa a ausência de dirigentes



 O Símbolo – a origem da máscara
Guy Fawkes nasceu em Iorque, 13 de abril de 1570 e morreu enforcado em Londres, no dia 31 de janeiro de 1606. Fawkes foi um soldado inglês católico que teve participação na “Conspiração da pólvora” (Gunpowder Plot) na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros do parlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o Parlamento do Reino Unido durante a sessão.

Prisão de Guy Fawkes


Porém a conspiração foi desarmada e após o seu interrogatório e tortura, São Guy Fawkes foi executado na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes da conspiração acabaram tendo o mesmo destino. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na “Noite das Fogueiras” (Bonfire Night).




No filme  V de Vingança (V for Vendetta, 2005) dos irmãos Wachowski (criadores da trilogia Matrix) baseado na obra  de quadrinhos V de Vingança,  de Alan Moore, o personagem usa a famosa máscara de Guy Fawkes e, com isso, a tornou mundialmente famosa. E hoje é uma referência de revolução na cultura.


Essa caixa é vendida por U$ 130,00 na loja Etsy. Feita em madeira de lei, ela é uma caixa de emergência! Aquelas que você quebra se precisa “apagar algum fogo”:






O Movimento

O nome Anonymous foi inspirado no anonimato sob o qual os usuários postam imagens e comentários na Internet. O uso do termo Anonymous no sentido de uma identidade iniciou-se nos imageboards. Uma etiqueta de "anônimo" é dada aos visitantes que deixam comentários sem identificar quem originou o conteúdo. Usuários de imageboards algumas vezes brincavam de fingir como se Anonymous fosse uma pessoa real. Enquanto a popularidade dos imageboards crescia, a ideia de Anonymous como um grupo de indivíduos sem nome se tornou um meme da internet.
Na sua forma inicial, o conceito tem sido adotado por uma comunidade online descentralizada, atuando de forma anônima, de maneira coordenada, geralmente em torno de um objetivo livremente combinado entre si e voltado principalmente para o entretenimento. A partir de 2008, o coletivo Anonymous ficou cada vez mais associado ao hacktivismo colaborativo e internacional, realizando protestos e outras ações, muitas vezes com o objetivo de promover a liberdade na Internet e a liberdade de expressão. Ações creditadas ao Anonymous são realizadas por indivíduos não identificados que atribuem o rótulo de "anônimos" a si mesmos.
Anonymous não possui um líder ou partido controlador, e depende do poder coletivo dos participantes em agir de uma maneira que o resultado beneficie o grupo. "Qualquer um pode se tornar Anonymous e trabalhar em direção a um certo objetivo..." um membro do Anonymous explicou para o jornal Baltimore City Paper. "Nós temos essa agenda, na qual todos concordamos, coordenamos e seguimos, mas todos andam independentemente em sua direção, sem nenhum desejo de reconhecimento. Queremos apenas fazer algo que sentimos que é importante que seja feito..."

“Nós somos Anonymous. Nós somos Legião. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos. Esperem por nós.”


Os Eventos

Projeto Chanology

O grupo ganhou atenção mundial com o Projeto Chanology, uma série de protestos contra a Igreja da Cientologia.
Em 14 de janeiro de 2008, um vídeo produzido pela Igreja com uma entrevista com Tom Cruise vazou para a Internet e foi enviado ao YouTube. A Igreja emitiu um pedido de violação de direitos autorais contra o YouTube pedindo a remoção do vídeo. Em resposta a isso, o grupo formulou o projeto. Eles consideram a ação da Igreja da Cientologia contra o Youtube como uma forma de censura na Internet. Os membros do Projeto Chanology organizaram uma série de ataques de negação de serviço contra sites da Cientologia, e trotes aos centros da igreja.

Protestos contra resultados da eleição presidencial de 2009 no Irã

Após as alegações de manipulação dos resultados da eleição presidencial de junho de 2009, que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, milhares de iranianos participaram de manifestações de protesto.
Anonymous, juntamente com The Pirate Bay e vários hackers iranianos lançaram um site de apoio ao Movimento Verde Iraniano, chamado Anonymous Iran. O site foi apoiado por mais de 22.000 usuários em todo o mundo e permitiu a troca de informações entre o Irã e o resto do mundo, apesar das tentativas do governo iraniano de censurar notícias sobre os protestos enviadas pela Internet


Primavera Árabe: Operação Egito e Operação Tunísia

Imagem espalhada durante a Operação Tunísia
Os websites do governo da Tunísia foram alvos do Anonymous devido à censura dos documentos da WikiLeaks e da Revolução da Tunísia. Houve relatos de tunisianos ajudando os ataques DDoS lançados pelo Anonymous. O papel do Anonymous nos ataques DDoS contra os sites do governo da Tunísia levaram a um aumento significativo no ativismo por parte dos tunisianos contra o seu governo. Uma figura associada ao Anonymous lançou uma mensagem online denunciando a repressão do governo sobre os recentes protestos e a colocou no site do governo tunisiano. O Anonymous nomeou seus ataques como "Operação Tunísia", e realizou ataques DDoS com sucesso em oito websites do governo, que respondeu tornando suas páginas inacessíveis para acessos de fora do país. A polícia tunisiana prendeu ativistas online e bloggers de dentro do país, e os interrogaram sobre os ataques. O website do Anonymous sofreu um ataque DDoS em 5 de Janeiro.
Durante a Revolução Egípcia de 2011, websites do governo egípcio, junto com websites do Partido Nacional Democrático, foram hackeados e tirados do ar pelo Anonymous. Os sites permaneceram offline até o Presidente Hosni Mubarak renunciar.
Anonymous se dividiu quanto à Guerra Civil Líbia, enquanto uns hackearam os websites do governo líbio e convenceram o host do website pessoal do líder líbio, Muammar Gaddafi, a tirar o site do ar, outros membros do grupo se aliaram ao ditador, no que eles chamaram de "Operação Reação Razoável". Os ataques pro-Gadaffi foram muito mal sucedidos, apenas conseguindo tirar do ar uma minoria dos sites da oposição, mas por pouco tempo.
O Anonymous também liberou os nomes e senhas de endereços de email de oficiais do governo do Oriente Médio, em apoio à Primavera Árabe. Países afetados incluem oficiais do BahreinEgito,Jordânia e Marrocos.

Operação Malásia

Em 15 de Junho de 2011, o grupo lançou ataques contra noventa e um websites do governo da Malásia, em resposta ao bloqueio de websites como WikiLeaks e The Pirate Bay dentro do país, o que o grupo considerou como censura de direitos humanos básicos à informação.





Operação Síria

No início de Agosto, o Anonymous hackeaou o website do Ministério da Defesa da Síria, e o substituiu com uma imagem da bandeira pré-Baath, um símbolo do movimento a favor da democracia no país, assim como uma mensagem de apoio à Revolta na Síria e chamado aos membros do Exército Sírio para desertarem e defenderem os protestantes.

Apoio ao Occupy Wall Street

Diversos membros do Anonymous demonstraram apoio ao movimento Occupy Wall Street, atendendo aos protestos locais e criando blogs que davam cobertura ao movimento.


Operação DarkNet

Em Outubro de 2011, o grupo realizou uma campanha contra a pornografia infantil protegida por redes anônimas. Eles derrubaram 40 sites de pornografia infantil, publicaram o nome de mais de 1500 pessoas que frequentavam essas páginas, e convidaram o FBI e a Interpol para acompanhá-los.


Occupy Nigéria

Em solidariedade com o Occupy Nigéria, o Anonymous juntou forças com o grupo "Frente Popular de Libertação" e o "Naija Cyber Hacktivists of Nigeria". Anonymous prometeu "um assalto implacável e devastador sobre os bens da web do governo da Nigéria". Isso foi em protesto à remoção do subsídio de combustível, do qual a maioria da população pobre nigeriana dependia para sobreviver. Como consequência da ação, o preço do combustível e do transporte subiu muito, causando extrema dificuldade para a maioria dos nigerianos. Em 13 de Janeiro, o website da Comissão de Crimes Financeiros e Econômicos da Nigéria foi hackeado.

Operação Megaupload e Protesto anti-SOPA

Em 19 de Janeiro de 2012, o Megaupload, um site que fornecia serviços de compartilhamento de arquivos, foi tirado do ar pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI. Isso levou ao que Anonymous chamou de "o maior ataque da história da Internet". Barret Brown, descrito como um porta-voz do grupo Anonymous pela RT, disse que o momento do ataque "não poderia ter vindo numa pior hora, em termos do ponto de vista do governo". Com o protesto contra a SOPA tendo acontecido no dia anterior, foi alegado que usuários da internet estavam "muito bem preparados para defender uma internet livre".

A Revolução Polonesa e o ativismo anti-ACTA na Europa

Em 21 de Janeiro, foi realizada uma série de ataques DDoS contra websites do governo da Polônia, pelos quais o Anonymous assumiu a responsabilidade e se referiu como "a Revolução Polonesa". O grupo, através de sua conta no Twitter, afirmou que era uma vingança pela futura assinatura do acordo ACTA pelo governo polonês.

Iniciando com o bloqueio das páginas sejm.gov.pl, do Primeiro Ministro Polonês, do Presidente, do Ministério da Cultura e Patrimônio Nacional, e continuando depois com o bloqueio dos websites da polícia, da Agência de Segurança Nacional e do Ministério de Relações Estrangeiras. O ataque foi fortalecido pela cobertura da mídia, o que resultou em um interesse de opinião pública extremamente alto, seguido pelo blackout de populares websites poloneses no dia 24, e protestos contra a assinatura nos dias 24 e 25 de Janeiro, com milhares de participantes em grandes cidades polonesas. Outros alvos suspeitos foram as páginas do Paweł Graś, o porta-voz do governo (bloqueado depois de Graś negar que qualquer ataque tenha ocorrido), a página do Partido Popular Polonês (bloqueada após Eugeniusz Kłopotek, membro do partido, apoiar a ACTA no ar em uma das maiores estações de TV). Páginas governamentais na França e o Ministério da Justiça, Ministério da Economia e a página do chanceler da Áustria também foram paralizados.



O texto em si não é lá de grande ineditismo, mas fiz questão de caprichar em alguns Links. Espero que gostem!


sexta-feira, janeiro 27, 2012

Bem mais que "apenas" futebol... - Política e Religião nas Ilhas Briânicas


Mais uma sobre o "esporte bretão", que como eu já havia dito, é mais que "apenas" um jogo. Além de esporte mais popular do planeta, é a representação perfeita da sociedade.

Essa notícia foi publicada no Blog Bola de Meia em 16 de novembro de 2010

Com medo dos protestantes, técnico pede para atacante não rezar



O técnico Alex Ferguson, do Manchester United, pediu ao atacante mexicano Chicharito Hernández que não fizesse o ritual religioso que costuma praticar antes das partidas no jogo  contra o Glasgow Rangers, da Escócia, pela Liga dos Campeões da Europa.
Chicharito sempre se ajoelha e reza antes dos jogos quando já está no gramado. E Ferguson, nascido em Glasgow, teme reações da torcidado Rangers, composta na sua maioria por protestantes.
Segundo informações da imprensa inglesa, torcedores do Rangers já estão preparando ameaças ao mexicano em sites de relacionamento na internet. Por isso Ferguson conversou com seu jogador para que ele fizesse uma exceção nesta partida. Os próprios dirigentesdo Glasgow Rangers já pediram para Chicharito não expressar sua religiosidade.
Na Escócia, a torcida do Rangers tem tradição protestante, enquanto os fãs do Celtic, outro grande clube do país, são na sua maioria católicos.

Um excelente exemplo da questão que envolve  política e religião nas Ilhas Britânicas.

Bem mais que "apenas" Futebol - Como o Futebol Explica o Mundo (Matéria da Super Interessante)


Muito além de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola. O esporte mais popular do planeta é também reflexo da sociedade em que vivemos


O Brasil foi jogar bola no Haiti e isso não teve nada a ver com preparação para a próxima Copa. Quem estava em campo era a diplomacia. Para comprovar, basta ver a cobertura da televisão: em vez da Fifa, era a ONU que aparecia nas imagens. No lugar do centroavante, era o presidente do país que atraía a atenção dos repórteres. Não foi a primeira nem será a última vez que futebol e política se misturaram.

É por causa dessa proximidade que alguns estudiosos olham para o gramado e enxergam um retrato perfeito da sociedade. A bola está na moda entre os analistas políticos.
Se você nunca tinha pensado que 22 jogadores em campo podem resumir o mundo, deve estar com uma dúvida: por que justamente o futebol, e não o cinema ou a literatura? “A arte sempre será produto da imaginação de uma pessoa. O futebol é parte da comunidade, da economia, da estrutura política. É um microcosmo singular”, diz o jornalista americano Franklin Foer, autor de How Soccer Explains the World (“Como o Futebol Explica o Mundo”, sem tradução para o português). Não apenas singular, mas global. É o esporte mais popular do planeta. Uma fama, aliás, que tem razões pouco esportivas. “O futebol nasceu na Inglaterra numa época em que os ingleses tinham um império e viajavam por muitos países. Ferroviários levaram a bola para a América do Sul, petroleiros para o Oriente Médio”, afirma Foer.



Mas não vá confundir o papel do esporte. Ele faz entender, mas não muda o mundo. “Não se trata de uma força revolucionária capaz de transformar uma nação. É apenas um enorme espelho que reflete a sociedade em que vivemos”, diz Simon Kuper, autor de Football against the Enemy (“Futebol contra o Inimigo”, sem versão brasileira). A bola está em jogo: nas próximas páginas, você vai ver como o futebol explica...

A Reforma protestante
Na Escócia, quando Glasgow Rangers e Celtic se enfrentam, estão dando continuidade a uma rivalidade que começou antes de o futebol existir. Mais exatamente no século 16, quando a Reforma protestante varreu o país matando católicos. Muitos morreram. Os que sobraram passaram o tempo acalentando a fidelidade ao papa, o sonho de independência e, mais tarde, o amor ao Celtic. Do outro lado da cidade, os protestantes se aliaram à monarquia inglesa e fundaram o Rangers – em que, até 1989, católico nenhum podia entrar.
Se rivalidade pode ser medida, Rangers e Celtic fazem o clássico de maior rivalidade do mundo. O ódio mortal desafia todos os intelectuais que afirmam que a civilização aplaca a barbárie e dissemina a tolerância. Glasgow é uma cidade rica, culturalmente criativa, politicamente liberal. E mesmo assim algumas de suas figuras mais proeminentes são capazes de ir ao estádio cantar hinos como “estamos mergulhados até o joelho em seu sangue”.
Católicos e protestantes se matando parece coisa da Irlanda do Norte, você deve pensar. Acontece que por lá não há mais espaço para esse tipo de convivência. O católico Belfast Celtic fechou suas portas em 1949, após uma partida em que a briga das arquibancadas chegou ao gramado e jogadores foram espancados. Com a ajuda da polícia. Pela paz da nação, deixaram o futebol de lado.

A guerra Iugusláva
Quando o juiz apitou o início de Dínamo Zagreb versus Estrela Vermelha, em 1990, começou uma guerra sangrenta. Naquele dia, a união de repúblicas que formava a Iugoslávia foi sepultada.
O visitante Estrela Vermelha vinha de Belgrado, na Sérvia, capital iugoslava. O Dínamo era de Zagreb, da separatista Croácia. E os torcedores estavam lá para protestar: o estádio se transformara num caldeirão nacionalista. Quando a briga começou, um helicóptero teve de resgatar do campo os jogadores do Estrela Vermelha. Os croatas haviam estocado pedras para o ataque. As grades que separavam as torcidas desapareceram – foram dissolvidas com ácido. Os sérvios não recuaram. Pela primeira vez em 50 anos a Iugoslávia vivia um confronto étnico. Para os que defendiam um conflito armado, era a gota d’água.
Futebol e guerra não se separariam mais. E no centro desse casamento estava o Estrela Vermelha. O chefe das torcidas organizadas era um sujeito conhecido como Arkan, que mais tarde seria apontado como um dos maiores criminosos de guerra da Iugoslávia. Arkan recrutava torcedores mais violentos para atuar como paramilitares na Bósnia – entre os atrativos, ele oferecia visitas de jogadores do Estrela Vermelha para combatentes feridos. Estima-se que esses torcedores-soldados tenham matado cerca de 2 mil pessoas. A maioria civis. Quase todos com requintes de crueldade.

O Irã
Não há solo tão fértil para o florescimento de teorias conspiratórias como o do Oriente Médio. Uma delas diz que o governo do Irã sabota a seleção de futebol. Faltam evidências para acreditar na tese. Mas que os chefes muçulmanos torcem contra, isso eles torcem. E com motivo.
A rixa começou quando o regime do xá Reza Pahlevi fez do esporte um sinônimo de modernidade. Mesquitas eram confiscadas e davam lugar a campinhos. O xá era fanático pelo Taj, de Teerã. Sua esposa, pelo rival Persépolis.
Ao tomarem o poder, em 1979, fundamentalistas tentaram cooptar o esporte, cercando o campo com placas “publicitárias” anti-Israel e Estados Unidos. Não deu certo, e o futebol tornou-se símbolo da resistência. “No estádio você pode gritar contra o regime. É o único lugar livre. Focos oposicionistas nascem lá”, diz Simon Kuper. Jovens tomam a arquibancada para pedir reformas. Pior: atletas como Beckham, cabeludo, tatuado e mulherengo, vendem um estilo de vida que influencia adolescentes e assombra religiosos. Pior ainda: se a seleção vai bem, a euforia toma conta do país e faz até as mulheres exigirem participar da festa, aos gritos de “não fazemos parte desse país?”. É muita subversão para um aiatolá só.

Os comunistas
Como quase tudo no mundo comunista, o futebol soviético era infestado pela burocracia. A cada clube correspondia uma parte do poder: o CSKA pertencia ao Exército, o Dínamo Moscou à KGB, o Lokomotiv, adivinhem, era dos ferroviários. Só o Spartak Moscou não era de ninguém. Quer dizer, pertencia a um louco chamado Nikolai Starostin, que por conta da ousadia de possuir um time foi defenestrado para a Sibéria.
Na ditadura soviética, torcer era um ato político. Foi nos estádios, durante jogos do Yerevan Ararat ou do Dínamo Tblisi, que países como Armênia e Geórgia começaram suas lutas pela independência. Starostin, no entanto, fundou seu time não para bajular oficiais do governo, mas para agradar fãs de futebol. A massa adorou. O governo nem tanto. Quando o Spartak foi bicampeão em 1938 e 1939, deram um jeito de condenar o cartola a dez anos no gulag stalinista – onde, ironicamente, era disputado pelos chefes dos campos para ser técnico do time. Enquanto isso, na capital, o regime iniciou seu expurgo da história. O rosto e o nome de Starostin sumiram de fotos e registros oficiais. O tratamento clássico destinado aos inimigos do comunismo.
Na Alemanha Oriental, o queridinho do governo era o Dínamo, de Berlim. Assim como grande parte dos clubes de mesmo nome na Cortina de Ferro, o Dínamo era o time da polícia secreta. Não é surpresa, portanto, que tenha ganhado dez títulos nacionais seguidos nos anos 70 e 80. “Nos regimes comunistas, todo dinheiro ia para a capital. E essa política incluía também o futebol”, diz Simon Kuper. O clube vivia um paradoxo: provavelmente era ao mesmo tempo o clube mais vitorioso e o mais odiado do mundo. Quando não estava dando pitacos no time, sua diretoria se reunia na cúpula da Stasi, como era conhecida a brutal polícia secreta alemã. Sendo assim, berlinense que gostava de futebol odiava o Dínamo e sonhava em reencontrar o Hertha Berlim, o time que ficara do lado ocidental da cidade quando o muro foi erguido. No primeiro jogo após a unificação da Alemanha, o estádio do Hertha recebeu 59 mil torcedores – num jogo da segunda divisão. Então os alto-falantes agradeceram a presença do corpo de diretores do Dínamo Berli. Houve revolta nas arquibancadas. No jogo seguinte, o público pagante não passou de 16 mil pessoas.

Collor e Lazzaroni
O técnico Sebastião Lazzaroni e o presidente Fernando Collor têm em comum mais do que terem sido escorraçados de seus cargos. Talvez você tenha esquecido, mas o Brasil foi eliminado da Copa sob a tutela de Lazzaroni, em 1990. Mesmo ano em que Collor assumiu a Presidência. Além de contemporâneos, eles foram ícones de uma onda que varreu o país na virada da década: a febre dos importados.
Era uma fase em que idolatrávamos o que vinha de fora – a solução dos problemas.

Bem mais que "apenas" futebol - Pesos e medidas...


Não é segredo pra ninguém a paixão que tenho pelo futebol, contudo minha paixão não é apenas pela parte esportiva do tema, mas também pelas características sociais, econômicas, políticas e tantas outras que o Futebol pode demonstrar.

Comento com meus alunos o seguinte aspecto:
Pensemos na Série A do Campeonato Brasileiro. Quantos times são do Centro-Sul?  E do Nordeste? E do Norte?

Em 2011, dos 20 clubes da série A, nada menos que 18 clubes pertenciam ao Centro-Sul (11 do SE, 6 do Sul e 1 do CO) e 2 do Nordeste.

No campeonato deste ano a distribuição é bem semelhante. São 17 do Centro-sul  (12 do SE, 4 do Sul e 1 do CO) e 3 do Nordeste.

Em outras palavras a tabela do nosso Brasileirão é um retrato quase que perfeito da concentração de recursos e infraestrutura que possuímos no país.

Ano passado li esse post no Blog do RicaPerrone que fala um pouco sobre o citado acima.

MANUAL DE INSTRUÇÕES


Eu costumo receber e-mails e twitts revoltados de torcedores de Coritiba, Bahia, Ceará, Figueirense, Sport, entre outros todo santo dia. O tema é sempre o mesmo: “Porque meu time não está na sua lista?”.

Então, pra acabar com a pentelhação, vou responder bem desenhadinho.

Posso fazer meu blog com um conteúdo bem melhor focando em 12 clubes do que fazendo média com 30. Para o torcedor, mesmo que seja do Brasil de Pelotas, o time dele é sempre grande e merece mais do que tem, logo, ignoro 99% dos e-mails e choros que recebo.

A questão é bastante simples. Eu optei por usar como público alvo do blog os torcedores dos 12 maiores clubes do país. E essa escolha é minha, o que responde 90% das perguntas.

Tipo assim: “Mas porque?!”
Porque sim.

Aí você vai me dizer que acha um menosprezo eu citar seu time fora dos grandes. Mas entenda, não estar entre os 12 maiores não te coloca na situação de nanico. Te coloca apenas abaixo dos 12.

É evidente por qualquer lista não acéfala levantada que os 12 maiores clubes do país são estes. São os de maior torcida, os que tem mais títulos, maior receita, maior exposição de mídia, os mais badalados jogadores e o histórico mais rico do país. Goste você ou não, é isso. O seu pode ser o décimo terceiro com 1 segundo atrás. Mas, está atrás.

“Ah eu discordo!”, você dirá. “Ok, ignore meu blog”, eu direi.
Não estou escondendo em momento algum: Meu blog é feito pras 12 maiores torcidas do país. E é este meu público alvo. Se você não é, sem problemas. Churrascaria é feita pra quem gosta de churrasco, o que não agride os  vegetarianos. É só não ir lá.

Eu não vou entrar na discussão de que 1 milhão de torcedores no Rio/SP/MG/Sul valem mais do que 2 milhões no Norte Nordeste exatamente porque a paixão cega as pessoas e eu não inventei o mercado do futebol.  É só você ver quanto custa e descobrirá que ou estão todos loucos ou então há um motivo.

Seu time vale menos? Não, claro que não. Ele é menos “importante”? Sim, é.

Goste você ou não, culpe Deus, o passado, a Globo, o Galvão ou a Mae Dinah, o país é assim. O poder economico dos estados é diferente e isso tem peso na relevância de cada clube. Um time da Nova Zelandia pode contratar o elenco do Barcelona inteiro. Ele não valerá metade do Barcelona.

Concorda? Tá com Novazelandiafobia? Não, né? Então não enche meu saco por ouvir de mim o que os números e valores de mercado dizem claramente pra quem tem um pingo de bom senso.

Eu não acho que a grandeza dos clubes seja medida por títulos, CT, estádio e só. A importância envolve história, estrutura, torcida, rivalidade, entre outros mil detalhes.
Você dirá assim: “Mas o Galo ganhou um brasileiro e mais nada!” E eu te direi que ele é tão grande, mas tão grande que ainda sem tantos títulos é o grande problema da vida do bicampeão da Libertadores Cruzeiro.

Ter um grande rival ajuda uma barbaridade na grandeza de um clube. Sem o Real, o Barcelona tá morto.

E é óbvio a qualquer mercado que um estado com 4 grandes valha mais do que um com 2. Pois há mais discussão, mídia e espaço para expor sua marca.

O que me dá o direito de interpretar que São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul são os 4 estados que movem a maior parte do futebol brasileiro. Seja na tv, na roda de bar, nas competições sulamericanas, nas marcas vendidas, nos jogadores famosos do passado, do presente e no que mais você quiser discutir.

Essa é a minha opinião, baseada em números.

Você discorda? Não tem problema. Mas respeita a minha que eu respeito a sua.
O blog vai continuar tendo conteúdos de qualidade focando nos 12 e, quando possível,  nos 20.

Mas o meu foco é nos 12, que junto com a torcida do “nenhum”, somam 93% dos torcedores do país.

Tá explicado?

Então, se não gostou e seu time não é um dos meus 12 queridinhos, ao invés de escrever um e-mail que eu não vou ler, só faça um favor a nós dois: Não volte!
Quando você quer demais a atenção de alguém fica claro que esse alguém é importante pra você. Seja maior, me ignore.

“Grande merda você achar meu time pequeno, Perrone?!”, é o que mais leio. Se é grande merda, então ignore. Tá preocupado comigo porque?

Grandes não gritam que são grandes. Apenas são.


Ainda no clima, indico a seguinte leitura:


"ConFusão" - Americanos propõem abolição dos fusos horários


Economista e astrônomo querem que o mundo inteiro esteja sob uma mesma hora



Um carioca olha o relógio no Rio de Janeiro e são 13h, do dia 19 de fevereiro de 2012. É domingo de carnaval e hora de sair para assistir ao desfile no Sambódromo. No mesmo momento, do outro lado do mundo, um morador de Pequim acerta o alarme de seu despertador e também são 13h de 19 de fevereiro de 2012. Mas é noite lá fora e ele se prepara para dormir e acordar, depois de oito horas, às 21h, já com o dia claro, para ir ao trabalho. Como isso é possível? É que ambos estão seguindo o novo calendário e hora universal propostos pelo economista Steve Hanke e pelo astrônomo Richard Conn Henry.
Pelos planos dos dois, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, o atual calendário gregoriano, instituído em 1582 pelo Papa Gregório XIII, e os fusos com base no Meridiano de Greenwich, Londres, seriam substituídos por um sistema fixo que faria com que todas as datas caíssem sempre no mesmo dia da semana pelo resto da História e todos os relógios do mundo marcariam sempre a mesma hora.
Hanke explica que, no novo calendário, os anos continuariam a ser divididos em 12 meses, mas com quatro trimestres de 91 dias. Janeiro e fevereiro teriam 30 dias cada e março, 31, seguidos por abril e maio com 30 dias e junho com 31, e assim em diante. E para corrigir as discrepâncias com o início das estações, a cada cinco ou seis anos dezembro ganharia uma semana inteira “extra”.
— Há um reconhecimento geral de que o calendário gregoriano tem problemas que devem ser abordados, mas até hoje todas as reformas propostas tinham defeitos — lembra Hanke. — Historicamente, porém, o maior obstáculo tem sido as religiões, que sempre se opuseram a esse tipo de mudança por não repeitarem o Sabá, o dia semanal de descanso. Nosso calendário, no entanto, tem a vantagem de ser “religiosamente neutro”, com o ano composto sempre por semanas completas de sete dias.
Já a proposta de abolição dos fusos horários e adoção de uma “hora universal” é mais simples. Segundo ele, isso não quer dizer que pessoas como o hipotético morador de Pequim passariam a ter que trabalhar de noite .
— Continuaríamos a observar ciclos de 24 horas regidos pela luz do Sol, só nossos relógios é que marcariam uma hora diferente.
Hanke lembra que a China desde 1949 adota um fuso único apesar de, pela sua extensão territorial, poder abranger até cinco horas diferentes.
Segundo ele, tanto o calendário fixo quanto a hora universal têm o potencial de gerar ganhos na economia globalizada de hoje. Os meses e trimestres com duração uniforme, por exemplo, eliminariam as atuais discrepâncias na quantidade de dias úteis sobre os quais calcular juros de investimentos, títulos e dívidas. Bolsas de valores de regiões relativamente próximas em termos dos fusos atuais também poderiam operar nos mesmos horários e compensações financeiras seriam feitas ao mesmo tempo.
Por fim, destaca o economista, está a mais clara vantagem do que chama de “dividendo de harmonização permanente” proporcionado pelo novo calendário e hora universal: sem diferenças regionais, a possibilidade de enganos na marcação de compromissos internacionais, como teleconferências, é praticamente nula.


quinta-feira, janeiro 26, 2012

COMO SUBSTITUIR SACOS PLÁSTICOS POR SACOS FEITOS DE JORNAL NAS LIXEIRAS


O prefeito Gilberto Kassab da capital paulista assinou no fim desta semana a lei que proíbe sacolas plásticas em São Paulo a partir de 2012. Em alguns outros Estados, ideia já está em prática. Ou seja, a partir de agora e cada vez mais se faz necessário aprender como substituí-las no dia a dia.
O fato que elas fazem muito mal ao meio ambiente, todo mundo sabe. Elas são tradicionalmente feitas de petróleo, um recurso não-renovável cuja exploração e refino trazem danos, às vezes, em proporções catastróficas – como os derramamentos de óleo que destroem fauna e flora em largas extensões. Isso sem falar que elas demoram cerca de 300 anos para se decompor.
As opções para se livrar delas são muitas. Primeiro vieram as eco-bags como solução para as sacolas plásticas do supermercado. Agora uma novidade foi apresentada por Juliana Valentini no grupo de discussão Futuro do Presente: sacolinhas de jornal para colocar na lata de lixo. Feita a partir de dobraduras típicas de origami, elas ajudam na decomposição do lixo, que em contato direto com o ambiente ocorre mais rápida do que se tivesse em uma sacola plástica.
O processo é muito fácil e dura cerca de 20 segundos. Basta usar uma, duas ou até três folhas de jornal juntas, para que o saquinho fique mais resistente.



Como fazer:
1. Faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca, e assim terá um quadrado.
2. Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo.
3. Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.
4. O verso ficará igual a figura 4.
5. Vire a dobradura e, novamente, dobre a ponta da direita até a lateral esquerda
6. Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.
7. Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.
8. O jornal ficará igual o da figura 8.
9. Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!
10. É só encaixar dentro do seu cesto e parar de usar plástico no lixo!


CLIMA ESQUENTA PARA HABITANTES DAS MALDIVAS


As mudanças climáticas podem parecer um fenômeno distante ou de ocorrência apenas sazonal para muitos em território brasileiro e mesmo no mundo. Agora, para os habitantes das Ilhas Maldivas, o problema é eminentemente grave e pode ocasionar mudanças drásticas aos seus 350 mil habitantes.

Male, capital das Ilhas Maldivas com aproximadamente 1m de altitude média

Em função do risco oferecido pela tendência global da elevação do nível do mar, Mohamed Nasheed, o presidente do pequeno país rodeado pelo Oceano Índico, anunciou recentemente que está considerando deslocar toda a sua população para a Austrália, em um movimento massivo de migração. Estima-se que a consequência do degelo das calotas polares poderá ocasionar o desaparecimento gradual das Ilhas.

Mohamed Nasheed, o presidente do pequeno país rodeado pelo Oceano Índico  

Graças à condição de país vulnerável, as Maldivas foram uma das protagonistas da Cúpula dos Países Vulneráveis às mudanças climáticas, que aconteceu logo antes da COP16, em 2011. Na ocasião, o presidente reforçou a promessa de que seu país se tornaria neutro em carbono até 2020, mesmo que os maiores poluidores não entrassem em acordo sobre suas emissões.
Nasheed disse, em entrevista para o jornal americano “Herald Tribune” sobre a dificuldade de sustentar a qualidade de vida nas ilhas em função das mudanças no clima. “Se as nações não tiverem boas atitudes para elas mesmas, elas precisam pensar no bem dos demais ao redor. É importante que os Australianos e qualquer outra nação rica do mundo entendam que essa situação é diferente de tudo o que já aconteceu.”
O relevo mais alto nas ilhas está apenas 2,5m acima do nível do mar. Com a média otimista de elevação das águas a um centímetro por ano, o panorama é emergencial. Em preparação a essa transformação, o país criou um fundo monetário soberano, elaborado a partir de sua receita turística, com o intuito de usá-lo para comprar terras no exterior e financiar o deslocamento da população do país.



Adaptado: Greenvana